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quinta-feira, 3 de março de 2016

Coisas ruins que presenciei ou já vi no Brasil...

Olá pessoal, tudo bem?

Vocês sabem as coisas ruins do Brasil?
Atualmente essa é a pergunta mais fácil de ser respondida.

Abaixo farei a minha lista de coisas ruins, que não gosto no Brasil e algumas situações que aconteceram (e acontecem) no Rio de Janeiro.

Compare com as suas para usar como meta do que devemos mudar.

Coisas que considero ruins e que tenho a certeza de que precisa ser mudado:




  • Começo com: um conhecido meu veio questionar porque não faço um canal, para ser mais conhecida e porque as pessoas não parariam para ler textos que poderiam ser apresentados em forma de vídeos. Não, se a pessoa realmente quer saber, que leia. Tem muita coisa na vida que eu não gosto, mas às vezes tenho que fazer porque é NECESSÁRIO! 
  • Dificuldade de leitura. Não falo de analfabetismo, falo das pessoas que ODEIAM ler. Na semana que o texto do Mark bombou na internet eu postei no blog o texto dele e uma pessoa bem distante me disse que não leria o texto por ser grande demais. Acho que foi preciso alguém pegar este texto e ler durante a gravação de um vídeo, pois essa pessoa mesma sabia que a maioria não daria bola por se tratar de um texto grande. As pessoas precisam aprender que não importa se o texto é grande ou pequeno, ler é importante, ainda mais um texto que é impactante. Só que muita gente prefere ler lixo, prefere nem ler [que é pior ainda], prefere errar "mas" de "mais", escrever "com migo" e muitos outros que dá dó de escrever;
  • Não incentivam os cidadãos a estudarem e muito menos investem no povo. Esse sistema lixo, que acha engana o povo e faz ficarem com as migalhas. Enquanto comem caviar, riem do povo e ficam em hospitais caros, o povo tem que esperar horas e horas por uma consulta que nem vai acontecer porque o médico faltou ou porque estão em falta de materiais ou porque a demanda é grande e nao tem mais espaço para todo mundo ou TODAS AS OPÇÕES;
  • A violência é uma das piores coisas que o Brasil tem a "oferecer". Você não pode sair na rua a qualquer hora do dia, que você pode ser assaltado, ferido ou morto - fora quando tem mais de uma opção, como latrocínio, roubo seguido de morte;
  • Pior, ou melhor dizendo, não há retorno nos impostos pagos pela população. Andar e dirigir em ruas cheias de buracos, falta de sinalização, pessoas que morrem nos hospitais por descaso. (não coloco "e" porque a lista é imensa);
  • Pessoas que reclamam sobre as pessoas que questionam determinado político.

    Exemplo: Questionar a falta de água com o Presidente da República ou reclamar que o nosso Estado não está pagando um determinado órgão municipal ou federal. Se eu quiser reclamar com o Presidente da República, é um direito meu (apesar que não apoio NEM UM POUCO este sistema de Governo) exigir ao "cabeça" por não estar havendo determinada ação no meu estado ou bairro. Só sabem falar que fulano não pertence ao partido ou jogam culpa em gente nada a ver. Afinal, o dinheiro que chega ao Governador, prefeito não vem do céu e nem pelo Papai Noel, concordam?;
  • Monopólio! Falta de opção; não podemos escolher as empresas que nos fornecerão serviços [exceto alguns casos e mesmo assim não são tão bons assim]. Se tem duvida: mandou chegou? ;) (essa é mole, só tem uma!);
  • ALGUMAS pessoas [não todos, mas isso é raro de se ver] que têm um estabelecimento próprio, dono de uma loja, administrador de alguma empresa, não faz investimentos. Imagina você ganhar um valor alto todo mês ou até mesmo por dia e não usar uma parte do lucro pra investir em outra coisa que é necessária para a empresa crescer mais ainda.

    Para ficar mais claro deixo um exemplo que vi recentemente,

    > Um shopping que está se destruindo com o tempo devido às tempestades, causando goteiras. O dinheiro que o dono deste estabelecimento ou a empresa que administra não quer "perder" o dinheiro de lucro pra investir em melhorias e nem inovar e atrair mais pessoas. BURRICE!
    > Existe uma determinada empresa ferroviária [monopólio rs] no Rio de Janeiro. Sempre que eu uso esse meio de transporte e chego na estação principal ouço na propaganda "Mais de 500 mil por dia", já imaginou fazer a multiplicação do valor pago por esse número [que pode até ser maior] de pessoas que utilizam essa empresa? Eu já fiz isso com apenas um dia, uma decepção. A empresa descumpre os horários, está sempre com atrasos e quando chove vira um trem marinho; Não aumentam as frotas, as composições ficam extremamente lotadas. Fica tão cheio que é impossível não ser assediado. Ah e por falar em assédio ...
  • "Ah, o trem tá cheio, que bom que existe o vagão feminino". Oi? Vagão feminino? Gente, para que isso? [eu sei que é por causa de assédios e tal, dã!] Não é melhor todo mundo se respeitar? E mesmo que exista esse vagão, você acha que alguém respeita? Não respeitam nem em vagão comum, o que dirá o feminino. O que mais tem em vagão feminino, é homem, até aparecer um funcionário que o expulse e na próxima estação eles voltam de novo e ficam olhando para a mulherada parecendo picanha na brasa.
  • Este item não é generalizando, é um fato que muita gente que viajou lá pro exterior (que eu conheço) já comentou comigo: HONESTIDADE! Aqui no Brasil acontece [como Mark deixou claro em seu texto] muito o "jeitinho brasileiro", aquilo de fazer por fazer, fazer mal feito ou pior, fazer os outros de otário.

    Exemplos

    > Em um 'belo' dia: estava no banco no caixa eletrônico e estava uma fila enorme [umas 8 pessoas na frente] e tinham poucas máquina funcionando [como citado no ponto anterior, sobre investir: o banco não fornece máquinas funcionando, só sabem cobrar tarifas disso e daquilo], tinham dois homens atrás de mim que tiveram a CARA DE PAU de furar a fila. A menina, que seria a próxima, chegou até a eles e reclamou que estavam errados em furar a fila e que era uma 'sacanagem' já que ela estava na hora do almoço e tentou pedir com toda gentileza para que ele saísse. Eles saíram? Olharam pra ela e um deles disse que seria rápido, foi tão rápido que eu fui embora e eles ficaram lá.

    > Estava na fila do banco [oh praga] e tinha um rapaz todo enrolado em uma das máquinas e tinha uma mulher com pose arrogante [ela seria a próxima e eu estava atrás dela], esse rapaz estava tão enrolado pagando contas que assim que saiu do caixa a mulher já sabia que ele tinha esquecido um envelope em cima da máquina e o que ela fez? Não é difícil. Ela pegou e colocou na carteira dela, uma nota de 50 reais. Não tinha UM que não olhasse pra cara dela de nojo e nem deu tempo de chamar o cara porque ele saiu voando e a atitude dela deixou todo mundo atônito. Legal, né?;
  • Aquela sensação de tensão que você está andando calmamente pela calçada e do nada você dá escorregão, quase cai na rua e poderia ter quebrado a cara ou uma perna por pisar num cuscuz que jogaram no chão e você não viu [SIM, UM CUSCUZ!]. Quem nunca, andando por aí e sempre nota a quantidade horrorosa de lixo no chão? Para que isso, alguém me explica? Na casa dessas pessoas que jogam lixo no chão é tudo sujo? Ah, esqueci, é pra manter emprego de gari! [que coisa mais ridícula e sem noção].
  • Ai meu deus, eu estou com pressa, qual desses escolho: escada rolante ou escada comum? Escada comum! Sim, essa é a lógica das pessoas que ficam irritadas com as pessoas que andam na escada rolante seja para subirem ou descerem, mesmo estando em movimento. Qual o problema, dificuldade que as pessoas têm de manter o lado esquerdo vazio para aqueles que não querem esperar e não querem perde muito tempo em subir [que é até mais rápido]? E quando aparece um indivíduo e fica parado NO MEIO da escada rolante? Dá vontade de ser grosso, ignorante... mas somos melhores do que isso, correto? O jeito é pedir gentilmente a licença e ainda receber [que eu ja vi isso] uma resposta: Tá com pressa, vai pela normal! (sabe aquela escada que você sobe, sem mecanismo nenhum, que quando você está em determinado lugar e vê que será mais rápido ir por ela do que pela rolante, já que NINGUÉM dá espaço para quem quer descer ou subir em movimento? Então, é ela!);

  • "Ai, lá vem os velhos! Aff". Quem nunca viu uma pessoa [ou mais] fingir que está dormindo ou até mesmo ter a cara de pau só para não dar lugar aos preferenciais? É muito raro eu sentar no preferencial, me sinto mal, sinto que estou infringindo alguma lei. O aviso diz PREFERENCIAL e não reservado. Quer sentar? Não tem problema algum, nenhum mesmo, mas quando aparecer alguma grávida, qualquer cidadão com criança no colo, idoso, cadeirantes e o que for... aquele assento é o mais recomendado para eles sentarem. Sabe por quê? Porque normalmente ficam próximos da porta, para quando eles descerem não correrem o risco de se machucarem com o movimento do transporte (porque só tem motorista "atencioso", gente). Tive que ler de um adulto de que essa "estórinha" de lado esquerdo é coisa de Paulista, não sabia que Londres ficava em SP.  kkk (falo isso assisti um vídeo no facebook sobre esse assunto);
  •  Shiiiu!Silêncio, queremos dormir! Sabe aquele momento em que dá 22h e seu vizinho ou uma loja próxima liga o som no último volume? Sua casa treme, as coisas saem do lugar e você fica tampando seus ouvidos com um travesseiro? É, acontece muito por aqui. Parece coisa, ninguém respeita o horário entre 22h e 7h. Eu não me importo muito com som alto, mas respeitar o sono das pessoas é bom demais. Quer ouvir um som, põe um fone ou usa um outro horário. Todo mundo agradece;


Quem não gosta de tecnologia? Eu particularmente adoraria ter um bom celular, que supra as minhas necessidades, eu sou um ser humano, né? Não vejo problema algum uma pessoa ter certas vontades e desejos. Com todas essas coisas acontecendo eu abro mão facilmente de certas coisas só para não ter dor de cabeça. Por exemplo: eu não compraria [se me dessem um eu nem sairia de casa com ele] um iPhone ou qualquer outro celular que seja parecido ($$). Eu sei que é extremamente errado chegarmos para alguém e dizer: "Nossa, 'fulano', você é louco de ter um celular desses". Bem, ele não está errado, o errado é aquele que deixa a situação chegar ao extremo, de não podermos ficar na rua a hora que quisermos, seja dia ou noite, de atender uma ligação ou mandar uma mensagem. Não podemos esquecer que o culpado disso não está nem aí (políticos!).

Fiquem sabendo, estou levando duas semanas para escrever esse "pequeno texto". Sempre que falo "opa, acabei" aparece mais um detalhe que deixei passar ou surge algo novo. O papo da vez é: essa semana (estou escrevendo, a partir desse parágrafo, no dia 03/03) encontrei pelo Facebook uma página que publica vídeos de furtos e roubos na cidade do Rio, sendo mais em específico no Largo da Carioca. Achei "incrível" a quantidade de vítimas que são roubadas e se você perceber, pelos mesmos adolescentes e crianças, que deveriam estar na escola, aprendendo, estudando e querendo ser alguém na vida. Eles andam pelas ruas do centro procurando vítimas, pessoas que usem cordões, celulares no bolso, bicicletas e até mesmo relógios. Puxam até que seu pescoço caia, pode parecer ridículo escrever assim, mas é a realidade, não estão nem aí se vão matar alguém arrancando um cordão à força. O pior disso tudo é a palavra que nunca vi em ação: PUNIÇÃO. Estamos presos em nossa própria liberdade! Assim como falei no parágrafo anterior, de não podermos usar celulares nas ruas (ouvir gente nos chamando de otário, porque deu mole). Otário somos nós, todos cidadãos que têm que se submeterem a tal violência, abaixarmos a cabeça, morrer de medo de crianças que deveriam respeitar os mais velhos e a lei (como qualquer um).

Por que é mais errado vender coisas na rua (camelôs) do que roubar? Para quem não sabe, no Rio de Janeiro [em toda parte, só que sobre esse assunto, em especifico, no Centro da cidade] está acontecendo uma guerra não declarada. Pessoas são assaltadas todos os dias por ladrões, quando são pegos voltam para as ruas porque são menores e a lei não contribui para isso. O tema "redução da maioridade penal" é um assunto delicado de ser debatido, pois as pessoas confundem muito as coisas. Sei que a partir do momento em que a pessoa tem noção de escolha, ela tem sim uma noção do caminho que ela quer seguir, se é estudando, se esforçando ou ir para o caminho errado. Tudo na vida é uma opção, tendo ajuda ou não de terceiros. 

Com o passar no tempo noto o quanto essa situação está caótica! Crianças que deveriam estar na escola estão nas ruas roubando e machucando pessoas inocentes. Aquele tal papo de defender as crianças eu só compreendo pela dor da mãe, a dor da família, apenas. Nós escolhemos nossos caminhos por nossas atitudes, tendo a mente amadurecida ou não. Aprendemos com erros, só que acho que errar porque você escolheu trocar de emprego e não foi o que te agradou ou ter escolhido determinado curso na faculdade é totalmente diferente de ser correto e respeitar as leis (consequências).

Ai entra: O PROBLEMA DO BRASIL É O BRASILEIRO. O GOVERNO NADA MAIS É DO QUE O REFLEXO DO SEU POVO.

Uma outra coisa que me IRRITA PROFUNDAMENTE: vou em determinado lugar e escuto: "Nosso serviço caiu, senhora". Legal, às vezes você tira seu dia para fazer isso ou porque está realmente precisando resolver, urgentemente.

Exemplo: Adivinhem! Isso mesmo, BANCO! Em um ano desses ai fiquei numa luta danada para conseguir abrir uma conta. O que mais vi eram "fora do ar" e "você não tem cartão de credito que tenha seu nome para eu abrir a conta?". Caramba, esses bancos são uma droga hein, sempre dão desculpas e enrolam as pessoas para benefício próprio. Agora querem exigir que eu use cartão de crédito? Aham, tá bom, gosto do meu nome limpinho, moça (sou a diferentona do "à vista"). Perdi MESES só para fazer isso, só porque eu não quis deixar de exercer minha liberdade de escolha em não ter um cartão de crédito. Perco a oportunidade, mas não faço MESMO! Fora que no site não tem nada disso, nem mesmo um valor estipulado para abrir a conta, mas eles forçam demais. GENTE QUE NÃO TEM O QUE FAZER! Gente que tem preguiça me irrita demais, ainda mais quando todos podem sair ganhando, seja em lucros de venda, grande demanda ou até mesmo por ser respeitado, ninguém se aproveitar da ingenuidade ou paciência.


Nossa, você está sendo uma pessoa chata, que reclama de tudo.
Ah, estou? Então depois não me venha com papo que o Brasil precisa mudar, até porque ele muda a partir de suas atitudes. Se todos fizessem algo pelo país sairíamos ganhando e muito. E é com essa frase que encerro esse meu querido texto, que exponho minha raiva, vergonha, nojo e que me deixa com depressão por estar cada dia pior, por saber que há anos o nosso país foi uma potência, com moeda forte e valorizado por muitos.


Um país melhor só depende de nosso esforço e disposição, pois a batalha é demorada e possível de vencer.

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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Carta aberta de Mark para o Brasil

Querido Brasil,
O Carnaval acabou. O “ano novo” finalmente vai começar e eu estou te deixando para voltar para o meu país.
Assim como vários outros gringos, eu também vim para cá pela primeira vez em busca de festas, lindas praias e garotas. O que eu não poderia imaginar é que eu passaria a maior parte dos 4 últimos anos dentro das suas fronteiras. Aprenderia muito sobre a sua cultura, sua língua, seus costumes e que, no final deste ano, eu me casaria com uma de suas garotas.
Não é segredo para ninguém que você está passando por alguns problemas. Existe uma crise política, econômica, problemas constantes em relação à segurança, uma enorme desigualdade social e agora, com uma possível epidemia do Zika vírus, uma crise ainda maior na saúde.
Durante esse tempo em que estive aqui, eu conheci muitos brasileiros que me perguntavam: “Por que? Por que o Brasil é tão ferrado? Por que os países na Europa e América do Norte são prósperos e seguros enquanto o Brasil continua nesses altos e baixos entre crises década sim, década não?”
No passado, eu tinha muitas teorias sobre o sistema de governo, sobre o colonialismo, políticas econômicas, etc. Mas recentemente eu cheguei a uma conclusão. Muita gente provavelmente vai achar essa minha conclusão meio ofensiva, mas depois de trocar várias ideias com alguns dos meus amigos, eles me encorajaram a dividir o que eu acho com todos os outros brasileiros.
Então aí vai: é você.
Você é o problema.
Sim, você mesmo que está lendo esse texto. Você é parte do problema. Eu tenho certeza de não é proposital, mas você não só é parte, como está perpetuando o problema todos os dias.
Não é só culpa da Dilma ou do PT. Não é só culpa dos bancos, da iniciativa privada, do escândalo da Petrobras, do aumento do dólar ou da desvalorização do Real.
O problema é a cultura. São as crenças e a mentalidade que fazem parte da fundação do país e são responsáveis pela forma com que os brasileiros escolhem viver as suas vidas e construir uma sociedade.
O problema é tudo aquilo que você e todo mundo a sua volta decidiu aceitar como parte de “ser brasileiro” mesmo que isso não esteja certo.
Quer um exemplo?
Imagine que você está de carona no carro de um amigo tarde da noite. Vocês passam por uma rua escura e totalmente vazia. O papo está bom e ele não está prestando muita atenção quando, de repente, ele arranca o retrovisor de um carro super caro. Antes que alguém veja, ele acelera e vai embora.
No dia seguinte, você ouve um colega de trabalho que você mal conhece dizendo que deixou o carro estacionado na rua na noite anterior e ele amanheceu sem o retrovisor. Pela descrição, você descobre que é o mesmo carro que seu brother bateu “sem querer”. O que você faz?
A) Fica quieto e finge que não sabe de nada para proteger seu amigo? Ou

B) Diz para o cara que sente muito e força o seu amigo a assumir a responsabilidade pelo erro?
Eu acredito que a maioria dos brasileiros escolheria a alternativa A.

Eu também acredito que a maioria dos gringos escolheria a alternativa B.
Nos países mais desenvolvidos o senso de justiça e responsabilidade é mais importante do que qualquer indivíduo. Há uma consciência social onde o todo é mais importante do que o bem-estar de um só. E por ser um dos principais pilares de uma sociedade que funciona, ignorar isso é uma forma de egoísmo.
Eu percebo que vocês brasileiros são solidários, se sacrificam e fazem de tudo por suas famílias e amigos mais próximos e, por isso, não se consideram egoístas.
Mas, infelizmente, eu também acredito que grande parte dos brasileiros seja extremamente egoísta, já que priorizar a família e os amigos mais próximos em detrimento de outros membros da sociedade é uma forma de egoísmo.
Sabe todos aqueles políticos, empresários, policiais e sindicalistas corruptos? Você já parou para pensar por que eles são corruptos? Eu garanto que quase todos eles justificam suas mentiras e falcatruas dizendo: “Eu faço isso pela minha família”. Eles querem dar uma vida melhor para seus parentes, querem que seus filhos estudem em escolas melhores e querem viver com mais segurança.
É curioso ver que quando um brasileiro prejudica outro cidadão para beneficiar sua famílias, ele se acha altruísta. Ele não percebe que altruísmo é abrir mão dos próprios interesses para beneficiar um estranho se for para o bem da sociedade como um todo.
Além disso, seu povo também é muito vaidoso, Brasil. Eu fiquei surpreso quando descobri que dizer que alguém é vaidoso por aqui não é considerado um insulto como é nos Estados Unidos. Esta é uma outra característica particular da sua cultura.
Algumas semanas atrás, eu e minha noiva viajamos para um famoso vilarejo no nordeste. Chegando lá, as praias não eram bonitas como imaginávamos e ainda estavam sujas. Um dos pontos turísticos mais famosos era uma pedra que de perto não tinha nada demais. Foi decepcionante.
Quando contamos para as pessoas sobre a nossa percepção, algumas delas imediatamente disseram: “Ah, pelo menos você pode ver e tirar algumas fotos nos pontos turísticos, né?”
Parece uma frase inocente, mas ela ilustra bem essa questão da vaidade: as pessoas por aqui estão muito mais preocupadas com as aparências do que com quem eles realmente são.
É claro que aqui não é o único lugar no mundo onde isso acontece, mas é muito mais comum do que em qualquer outro país onde eu já estive.
Isso explica porque os brasileiros ricos não se importam em pagar três vezes mais por uma roupa de grife ou uma jóia do que deveriam, ou contratam empregadas e babás para fazerem um trabalho que poderia ser feito por eles. É uma forma de se sentirem especiais e parecerem mais ricos. Também é por isso que brasileiros pagam tudo parcelado. Porque eles querem sentir e mostrar que eles podem ter aquela super TV mesmo quando, na realidade, eles não tenham dinheiro para pagar. No fim das contas, esse é o motivo pelo qual um brasileiro que nasceu pobre e sem oportunidades está disposto a matar por causa de uma motocicleta ou sequestrar alguém por algumas centenas de Reais. Eles também querem parecer bem sucedidos, mesmo que não contribuam com a sociedade para merecer isso.
Muitos gringos acham os brasileiros preguiçosos. Eu não concordo. Pelo contrário, os brasileiros tem mais energia do que muita gente em outros lugares do mundo (vide: Carnaval).
O problema é que muitos focam grande parte da sua energia em vaidade em vez de produtividade. A sensação que se tem é que é mais importante parecer popular ou glamouroso do que fazer algo relevante que traga isso como consequência. É mais importante parecer bem sucedido do que ser bem sucedido de fato.
Vaidade não traz felicidade. Vaidade é uma versão “photoshopada” da felicidade. Parece legal vista de fora, mas não é real e definitivamente não dura muito.
Se você precisa pagar por algo muito mais caro do que deveria custar para se sentir especial, então você não é especial. Se você precisa da aprovação de outras pessoas para se sentir importante, então você não é importante. Se você precisa mentir, puxar o tapete ou trair alguém para se sentir bem sucedido, então você não é bem sucedido. Pode acreditar, os atalhos não funcionam aqui.
E sabe o que é pior? Essa vaidade faz com que seu povo evite bater de frente com os outros. Todo mundo quer ser legal com todo mundo e acaba ou ferrando o outro pelas costas, ou indiretamente só para não gerar confronto.
Por aqui, se alguém está 1h atrasado, todo mundo fica esperando essa pessoa chegar para sair. Se alguém decide ir embora e não esperar, é visto como cuzão. Se alguém na família é irresponsável e fica cheio de dívidas, é meio que esperado que outros membros da família com mais dinheiro ajudem a pessoa a se recuperar. Se alguém num grupo de amigos não quer fazer uma coisa específica, é esperado que todo mundo mude os planos para não deixar esse amigo chateado. Se em uma viagem em grupo alguém decide fazer algo sozinho, este é considerado egoísta.
É sempre mais fácil não confrontar e ser boa praça. Só que onde não existe confronto, não existe progresso.
Como um gringo que geralmente não liga a mínima sobre o que as pessoas pensam de mim, eu acho muito difícil não enxergar tudo isso como uma forma de desrespeito e auto-sabotagem. Em diversas circunstâncias eu acabo assistindo os brasileiros recompensarem as “vítimas” e punirem àqueles que são independentes e bem resolvidos.
Por um lado, quando você recompensa uma pessoa que falhou ou está fazendo algo errado, você está dando a ela um incentivo para nunca precisar melhorar. Na verdade, você faz com que ela fique sempre contando com a boa vontade de alguém em vez de ensina-la a ser responsável.
Por outro lado, quando você pune alguém por ser bem resolvido, você desencoraja pessoas talentosas que poderiam criar o progresso e a inovação que esse país tanto precisa. Você impede que o país saia dessa merda que está e cria ainda mais espaço para líderes medíocres e manipuladores se prolongarem no poder.
E assim, você cria uma sociedade que acredita que o único jeito de se dar bem é traindo, mentindo, sendo corrupto, ou nos piores casos, tirando a vida do outro.
As vezes, a melhor coisa que você pode fazer por um amigo que está sempre atrasado é ir embora sem ele. Isso vai fazer com que ele aprenda a gerenciar o próprio tempo e respeitar o tempo dos outros.
Outras vezes, a melhor coisa que você pode fazer com alguém que gastou mais do que devia e se enfiou em dívidas é deixar que ele fique desesperado por um tempo. Esse é o único jeito que fará com que ele aprenda a ser mais responsável com dinheiro no futuro.
Eu não quero parecer o gringo que sabe tudo, até porque eu não sei. E deus bem sabe o quanto o meu país também está na merda (eu já escrevi aqui sobre o que eu acho dos EUA).
Só que em breve, Brasil, você será parte da minha vida para sempre. Você será parte da minha família. Você será meu amigo. Você será metade do meu filho quando eu tiver um.
E é por isso que eu sinto que preciso dividir isso com você de forma aberta, honesta, com o amor que só um amigo pode falar francamente com outro, mesmo quando sabemos que o que temos a dizer vai doer.
E também porque eu tenho uma má notícia: não vai melhorar tão cedo.
Talvez você já saiba disso, mas se não sabe, eu vou ser aquele que vai te dizer: as coisas não vão melhorar nessa década.
O seu governo não vai conseguir pagar todas as dívidas que ele fez a não ser que mude toda a sua constituição. Os grandes negócios do país pegaram dinheiro demais emprestado quando o dólar estava baixo, lá em 2008-2010 e agora não vão conseguir pagar já que as dívidas dobraram de tamanho. Muitos vão falir por causa disso nos próximos anos e isso vai piorar a crise.
O preço das commodities estão extremamente baixos e não apresentam nenhum sinal de aumento num futuro próximo, isso significa menos dinheiro entrando no país. Sua população não é do tipo que poupa e sim, que se endivida. As taxas de desemprego estão aumentando, assim como os impostos que estrangulam a produtividade da classe trabalhadora.
Você está ferrado. Você pode tirar a Dilma de lá, ou todo o PT. Pode (e deveria) refazer a constituição, mas não vai adiantar. Os erros já foram cometidos anos atrás e agora você vai ter que viver com isso por um tempo.
Se prepare para, no mínimo, 5-10 anos de oportunidades perdidas. Se você é um jovem brasileiro, muito do que você cresceu esperando que fosse conquistar, não vai mais estar disponível. Se você é um adulto nos seus 30 ou 40, os melhores anos da economia já fazem parte do seu passado. Se você tem mais de 50, bem, você já viu esse filme antes, não viu?
É a mesma velha história, só muda a década. A democracia não resolveu o problema. Uma moeda forte não resolveu o problema. Tirar milhares de pessoa da pobreza não resolveu o problema. O problema persiste. E persiste porque ele está na mentalidade das pessoas.
O “jeitinho brasileiro” precisa morrer. Essa vaidade, essa mania de dizer que o Brasil sempre foi assim e não tem mais jeito também precisa morrer. E a única forma de acabar com tudo isso é se cada brasileiro decidir matar isso dentro de si mesmo.
Ao contrario de outras revoluções externas que fazem parte da sua história, essa revolução precisa ser interna. Ela precisa ser resultado de uma vontade que invade o seu coração e sua alma.
Você precisa escolher ver as coisas de um jeito novo. Você precisa definir novos padrões e expectativas para você e para os outros. Você precisa exigir que seu tempo seja respeitado. Você deve esperar das pessoas que te cercam que elas sejam responsabilizadas pelas suas ações. Você precisa priorizar uma sociedade forte e segura acima de todo e qualquer interesse pessoal ou da sua família e amigos. Você precisa deixar que cada um lide com os seus próprios problemas, assim como você não deve esperar que ninguém seja obrigado a lidar com os seus.
Essas são escolhas que precisam ser feitas diariamente. Até que essa revolução interna aconteça, eu temo que seu destino seja repetir os mesmos erros por muitas outras gerações que estão por vir.
Você tem uma alegria que é rara e especial, Brasil. Foi isso que me atraiu em você muitos anos atrás e que me faz sempre voltar. Eu só espero que um dia essa alegria tenha a sociedade que merece.
Seu amigo,
Mark

Texto retirado do link http://markmanson.net/brazil_pt